Em 01 de março de 1888, chegam ao Brasil, no Porto de Santos, a bordo do vapor S. Martino, Giacomo e Luigia Scherma, com seus 4 filhos, Anna Maria, Domenico, Giovanni e Antonio. Todos eles, a exemplo de praticamente todos os italianos que chegavam ao Brasil foram para o interior de São Paulo, para trabalhar nas fazendas de café. Esse é o início da história da fabricação de um produto, que anos mais tarde seria um dos principais destilados consumidos no mundo.

 

A família Scherma, começou a produzir cachaça, que era vendida a granel para familiares, amigos e inclusive para revendedores que a engarrafavam e revendiam na região. As grandes empresas de cachaça industrial de Pirassununga iniciaram seus negócios dessa forma. As cachaças Brazil, Bayu e Schermann nunca deixaram de ser produzidas e ainda hoje mantém a mesma tradição, após quatro gerações.

 

A família formou, aos poucos outros produtos de cachaça que se somaram ao primeiro alambique produtor, em operação até os dias atuais.

 

Dessa forma temos que destacar que, além da influência dos escravos, a cachaça brasileira tem também uma forte influência da produção dos destilados europeus, que eram produzidos e consumidos pelos seus antepassados na Europa. As marcas Brazil, Bayu e Schermann são o resultado de mais de 100 anos de experiência, onde juntamos a tradição e a modernidade para oferecer uma das melhores cachaças do Brasil.

Tonéis de armazenagem e envelhecimento das cachaças.
Genor Scherma – agricultor e produtor de cachaça. Desde a infância aprendeu com seu pai e avô os segredos da fabricação da sua cachaça. Conhecimento que, durante toda a sua vida foi aperfeiçoando e trabalhado segundo as conversas e exigências de seus amigos e clientes.
Gilberto Scherma – Agricultor, Produtor de Mel e de Cachaça. Criador do destilado de Mel Schermann.

A versão mais aceita da origem da Cachaça é que ela teria sido descoberta por acaso, como subproduto da produção brasileira de açúcar mascavo e rapadura, no início do Século XVI. Durante o processo, o caldo de cana era fervido nos tachos, para ser limpo e concentrado em uma massa espessa, sendo retirada a espuma ou borra sobrenadante, através de grandes espumadeiras ou conchas perfuradas. Essa borra, acumulada em conchos de madeira, fermentava, transformando-se em uma “garapa azeda” ou vinho de cana, que era servida como complemento na alimentação dos animais e até dos escravos. A essa espuma dava-se o nome de “cagaça”; daí se derivou, possivelmente, a palavra “cachaça”.

 

Outra versão para a origem do nome é de que essa bebida era também utilizada para amolecer carne de porco, chamado então de “cachaço”. Supôe-se que a destilação dessa “garapa azeda”, em alambiques de barro, deu origem a nossa Cachaça. Há dúvidas quanto ao surgimento dos primeiros engenhos no Brasil, se em Olinda-PE ou em S. Vicente-SP, mas foi com certeza nas Capitanias Hereditárias de Pernambuco e de S. Vicente, as duas que deram certo, que se iniciou e se desenvolveu a produção de açúcar e da Cachaça no Brasil, depois se espalhando a cultura da cana e a construção de engenhos em outras capitanias, como a da Bahia, de Ilhéus, do Paraíba do Sul (Rio de Janeiro) e, posteriormente, em Minas Gerais, no século XVII com a corrida do ouro. Segundo Varnhagen, F. A. (História Geral do Brasil – 3ª Edição, vol. 1, pág. 124), Itamaracá, depois incorporada a Pernambuco, teria sido o primeiro local onde seria instalado um engenho primitivo e que exportaria açúcar para Lisboa, antes da implantação das capitanias hereditárias.

 

Os primeiros escravos chegados ao Brasil aderiram à bebida, que lhes era servida pelos Senhores de Engenho, para que aguentassem as duras jornadas de trabalho, como também para alegrar as suas festas e os seus momentos de lazer.

 

Com o passar do tempo, as técnicas de produção foram aperfeiçoadas, passando a Cachaça a ser destilada em alambiques de cobre e a ser chamada de Aguardente de Cana; ganhou fama e passou a frequentar tanto a Senzala como a Casa Grande e a ser apreciada também por visitantes ilustres e autoridades. Era então consumida em banquetes e festas populares e começou a ganhar fama na Europa e na Ásia, sendo usada até como uma das principais moedas no pagamento do tráfego de escravos para o Brasil, onde a cultura canavieira exigia cada vez mais mão de obra. A tal ponto que a Capitania de Pernambuco passou a ser o maior produtor de açúcar do mundo e as altas cotações de açúcar no mercado internacional, motivou a invasão holandesa, através da Companhia das Índias Ocidentais, em 1630.

A ocupação holandesa em Pernambuco intensificou a produção de Cachaça e o seu produto como moeda na aquisição de escravos africanos. A Coroa Portuguesa, que não via com bons olhos a popularização da Cachaça, devido à concorrência com a “bagaceira” e seus próprios vinhos, proibiu várias vezes a sua produção, a comercialização e até o consumo no Brasil, criando diversas taxas severas sobre o destilado. E assim se fez, em 1756, com o subsídio voluntário para reconstruir Lisboa, abalada por um terremoto, e em 1773 uma nova taxação, desta vez para sustentar os professores régios, quando foi instituído o chamado subsídio literário.

 

As investidas da Metrópole contra a Cachaça, tornou-se um símbolo de resistêcia à dominação portuguesa para os revoltosos pernambucanos e inconfidentes mineiros, até a independência, proclamada por D. Pedro I, brindar com a Cachaça significava lutar contra a opressão colonial.

Não foi por acaso que a Cachaça foi eleita pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso como a bebida oficial  para brindar as comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. O Decreto nº 4062, assinado pelo Presidente da República em 21 de dezembro de 2001, define as expressões “cachaça”, “Brasil” e “Cachaça do Brasil”, como indicações geográficas, sendo o seu uso restrito aos produtores estabelecidos no País.

 

Atualmente várias marcas de Cachaça de alta qualidade, em S. Paulo, Minas e no Nordeste, figuram nos mercados nacional e internacional e estão presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo.

Os imigrantes italianos foram (sem deixar de citar todos os demais imigrantes que chegaram ao Brasil nesse período, como os portugueses, japoneses, alemães, espanhóis e outros), o maior contingente de mão de obra em todas as fazendas do interior do estado de São Paulo. Na região de Pirassununga não foi diferente.

Destacamos abaixo, um texto de Mário Joaquim Filla (fonte: descalvadoonline.com.br) sobre esse período.

 

A IMIGRAÇÃO ITALIANA

 

No fim do século XIX, o movimento abolicionista associado à expansão cada vez maior do café, foi o estímulo para a vinda de imigrantes, principalmente italianos, para o município de Descalvado. O recenseamento de 1886 informa: “Neste município de Descalvado, vai superando, com grande facilidade, a transformação do trabalho, pois que aumenta, extraordinariamente, a colocação de imigrantes em propriedades agrícolas, sendo, talvez, dentro dos municípios da Província o que de maior número de colonos conta”.

 

Na época de 1890 a 1910 o município de Descalvado recebeu, aproximadamente, cerca de 3.000 famílias provindas do norte da Itália. Com isto, a população municipal elevou-se, rapidamente, para quase 30.000 em 1900.

 

A laboriosa colônia italiana, a quem Descalvado, sempre e por sempre deve render o seu reconhecimento e a sua homenagem, veio substituir, assim, num extraordinário afâ de trabalho o braço escravo, trabalhando, inicialmente sob obrigações de “colonos”, aparecendo, depois, a oportunidade da pequena propriedade, fato bastante auxiliado quando, o governo da Província, em 1884, estabelece lei de “dar preferência” aos contratados para a formação de pequenas propriedades, dispondo-se a vender aos imigrantes, lotes próprios para a cultura de café, cessando, a partir daí, a grande propriedade, no aparecimento dos primeiros minifúndios”.

 

De 1906 a 1910 crises de superprodução de café; geadas em 1918 e com o esgotamento do solo a população começa a se deslocar, notadamente para o interior do Estado, a procura de novas terras, acompanhando, sempre, o avanço do café, ocasião em que verifica-se uma diminuição gradativa da população atingindo-se os índices, os mais baixos, iniciando-se depois, novos acréscimos de acordo com as fases do Município. De uma forma ou de outra, em fases auspiciosas ou enfrentando as surpresas de novas épocas, o fato é que , está bem patente na História de Descalvado, a valiosa colaboração da mão de obra italiana.

 

A partir desse ponto, se você tem interesse no assunto, selecionamos alguns links interessantes sobre o assunto da imigração italiana:

 

Memorial do Imigrante

Consulado da Itália em São Paulo

Família Bertin – site sobre uma das famílias italianas que chegaram a Pirassununga.

Imigrantes italianos – muitas dicas e links

Página com informações interessantes.

Família Rosolen – site sobre uma das famílias italianas que chegaram a Pirassununga.

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